Em meio à crise financeira internacional, o brasileiro está disposto a gastar o dobro em relação ao ano passado na compra do presente de Natal, de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos e divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta sexta-feira (9).

O levantamento, que ouviu 1 mil pessoas, de 70 cidades em nove regiões do país entre 21 e 31 de outubro, aponta que os entrevistados estão dispostos a gastar, em média, R$ 121 por presente – na mesma época do ano passado, o valor médio era de R$ 57; em 2009, R$ 48.

A disposição para consumo varia, ainda, conforme muda a faixa de renda dos consultados. Entre a classe AB, o presente do Natal de 2011 terá preço médio de R$ 170; na classe C, R$ 123; e na DE, R$ 64.

VALOR MÉDIO DO PRESENTE QUE ESTÁ DISPOSTO A PAGAR NO NATAL 2011

TOTAL – R$ 121

CLASSE AB – R$ 170

CLASSE C – R$ 123

CLASSES D/E – R$ 64

Mais salário

Na opinião do diretor do departamento de economia da Fiesp, Paulo Francini, o aumento da confiança do consumidor pode estar ligado à safra de reajustes que saíram da temporada de negociações entre sindicatos, que ocorrem em geral de setembro a novembro.

Além disso, Francini acredita que pode influenciar a expectativa também o aumento do salário mínimo, definido pelo governo para 2012 em R$ 622,73, com pagamento a partir de fevereiro.

“Tivemos uma boa safra de acordos coletivos, com reajustes em torno de 5%. E uma coisa inédita é um reajuste de 14% do salário mínimo em janeiro, que as pessoas já estão esperando e, talvez, até gastando um pouco por conta”, avalia Francini.

“Com a atividade industrial caindo, o nível de emprego na indústria caindo, o que tem de novidade na pesquisa é que mostra um cenário diferente do que estávamos imaginando”, afirmou o diretor.

Disposição para dívidas

Ainda de acordo com o levantamento, 42% das pessoas consultadas têm direito ao 13º salário e, destas, 32% pretendem usar o dinheiro extra para fazer compras de Natal, enquanto 28% devem pagar dívidas; 10% pretendem viajar e 9% ainda não sabem o destino do dinheiro, 8% têm a intenção de reformar a casa.

Segundo a pesquisa, o percentual de entrevistados que têm direito ao 13º é maior que o dos anos anteriores, “igualando-se ao patamar recorde de 2008”, informou comunicado da Fiesp.

Quando questionados sobre a situação financeira deste final de ano em relação a 2010, 35% dos entrevistados disseram sentir-se menos à vontade para contrair dívidas, contra 26% no ano passado.

Aumentou também, no entanto, o percentual que se declarou mais à vontade para assumir dívidas: subiu de 18% para 24% em 2011.