Rachaduras, infiltrações e mofo podem indicar riscos estruturais graves; especialista explica sinais de alerta para quem pretende comprar um imóvel
Quem está em busca de um imóvel para comprar precisa ter atenção quanto a possíveis problemas estruturais, que podem trazer riscos e prejuízos. De acordo com o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), cerca de 66% dos acidentes estruturais em edificações no Brasil poderiam ser evitados com manutenção preventiva e atenção aos primeiros sinais de problemas. Além disso, um imóvel com problemas estruturais pode perder até 40% de seu valor de mercado, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic).
Imóveis localizados no Rio de Janeiro costumam apresentar mofo e umidade, devido ao clima quente e úmido. Já em São Paulo, as rachaduras são mais comuns, muitas vezes causadas por obras de infraestrutura ou construções vizinhas.
Dados da Cbic apontam para a recuperação do mercado imobiliário brasileiro ao longo deste ano. A previsão é de que o setor apresente crescimento de 10% no volume de vendas, inclusive por meio de leilão de imóveis Banco Santander e outras instituições financeiras, portanto estar atento à qualidade dos imóveis é essencial para quem quer aproveitar o momento e investir no setor.
Rachaduras podem indicar problemas estruturais sérios
Quem pretende tornar real o sonho da casa própria por meio de um leilão de imóveis em São Paulo deve se atentar às condições da edificação. Em São Paulo, devido ao trânsito intenso na maioria dos bairros e de muita movimentação de solo por causa de obras, há uma grande presença de rachaduras em lajes, pilares e fundações. Nem todas são indicativas de problemas estruturais sérios, mas é preciso saber identificar.
As causas são diversas, como variações climáticas, movimentação do solo, problemas estruturais, vibrações constantes e falhas no processo do concreto. Além disso, fatores como dilatação de materiais, adensamento do solo ou uso de materiais de baixa qualidade também comprometem a estrutura.
Por meio de vistorias periódicas é possível diferenciar pequenas fissuras, que causam danos à pintura, de rachaduras mais profundas, que podem sinalizar riscos como abalos, problema na fundação e risco de desabamento. Entre os pontos a serem observados estão a largura, a profundidade e a localização das rachaduras.
Rachaduras estruturais apresentam mais de 3mm de largura, profundas, contínuas e costumam aparecer entre piso e parede ou teto. Quando surgem em vigas, pilares ou fundações, indicam problemas sérios como erro no cálculo da carga, fundação mal posicionada ou desgaste da armadura.
“Vento, água e luz são capazes de atravessar rachaduras. Essas falhas podem comprometer a segurança da construção, sendo necessária a avaliação imediata de um profissional”, destaca o engenheiro civil, Samuel Xavier.
Para saber se a rachadura é estrutural, é importante observar se ela tem padrão inclinado, aumenta com o tempo e atravessa diferentes superfícies. Uma rachadura diagonal na parede geralmente surge perto de janelas ou portas e indica que a estrutura pode estar sofrendo com má distribuição de peso ou falhas em elementos de proteção contra movimentações naturais.
As trincas costumam ter entre 1mm e 3mm de largura, podendo ser superficiais ou mais profundas. “As trincas são perigosas porque apresentam ruptura do elemento”, explica o engenheiro. Já as fissuras são as menores aberturas, com até 1mm, normalmente superficiais e alongadas. São causadas por mudanças de umidade ou temperatura, não afetando a estrutura.
Mofo pode estar relacionado à infiltração
O leilão de imóveis no Rio de Janeiro é um dos meios de vendas imobiliárias que apresentou grande crescimento e oferece variedade de tipos de imóveis na cidade carioca. A dica ao comprador é verificar se a propriedade não apresenta umidade e mofo, problemas comuns em áreas quentes e de muita chuva.
O mofo nas paredes ou teto, quando persistente, pode indicar problemas estruturais relacionados à infiltração. Segundo o engenheiro, o mofo superficial aparece em áreas naturalmente úmidas, como banheiros e cozinhas, apresentando coloração esverdeada ou preta, e pode ser removido com limpeza adequada.
Já o motivo que pode estar relacionado a problemas estruturais reaparece após limpeza, além de estar associado a manchas de umidade que crescem, apresentando padrões que seguem o caminho da água dentro da estrutura, e pode vir acompanhado de manchas brancas salinas.
“O mofo é apenas a ponta do iceberg. O verdadeiro problema é a umidade constante dentro da estrutura, que pode estar comprometendo a armadura do concreto e reduzindo drasticamente a vida útil do imóvel”, alerta Xavier.
A infiltração persistente pode causar corrosão da armadura do concreto, deterioração de elementos de madeira, desagregação do concreto e curto-circuito em instalações elétricas. “A água é um dos maiores inimigos da estrutura de um imóvel. Infiltrações persistentes podem comprometer seriamente a integridade estrutural, especialmente quando atingem elementos de concreto armado”, aponta o profissional.
Além dos riscos estruturais, o mofo persistente representa um risco à saúde, podendo causar ou agravar problemas respiratórios, alergias e até infecções pulmonares em casos extremos.
Basta ter umidade para o mofo ou bolor aparecer. Segundo o biomédico Roberto Figueiredo, conhecido como Dr. Bactéria, isso ocorre porque o fungo precisa de poucos nutrientes para se proliferar.










