A primeira audiência do caso que apura a morte dos irmãos Joaquim e Kauã, em um incêndio em Linhares, está prevista para acontecer nesta quarta-feira (10) na 1ª Vara Criminal de Vitória. Ela não será aberta ao público porque o caso corre em segredo de Justiça.

Serão ouvidos o pai e a avó de Kauã, além dos peritos da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros, que estiveram na casa depois do incêndio e participaram das investigações que apontaram o pastor Georgeval Alves, pai e padrasto das crianças, como o responsável pelas mortes. Uma outra audiência ainda está marcada para acontecer neste mês, no dia 23.

Irmãos morreram carbonizados em incêndio em Linhares, ES — Foto: Reprodução/ TV Gazeta
Irmãos morreram carbonizados em incêndio em Linhares, ES — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

As crianças morreram em um incêndio no dia 21 de abril, em Linhares. Georgeval, pai de Joaquim e padrasto de Kauã, foi acusado de estuprar, agredir e queimar as crianças. Já a esposa dele Juliana foi presa porque, segundo o juiz, foi omissa e sabia dos abusos que as vítimas sofriam.

Segunda audiência vai ter depoimento de pastores

A audiência do dia 23 de outubro deve acontecer no Fórum de Linhares e será a primeira vez que Geogerval e a esposa Juliana Salles vão ficar frente a frente depois que foram presos.

Procurados, os advogados que fazem a defesa do casal não atenderam nossas ligações.

Pastor George Alves é indiciado pela morte de irmãos Joaquim e Kauã, em Linhares — Foto: Reprodução/ TV Gazeta
Pastor George Alves é indiciado pela morte de irmãos Joaquim e Kauã, em Linhares — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Mãe das crianças também está presa

A ordem de prender a pastora partiu do juiz André Dadalto, da 1ª Vara Criminal de Linhares. De acordo com a decisão, Juliana sabia dos desvios de caráter do marido, e mesmo assim apoiava os planos dele de se promover na igreja.

Para o Ministério Público, assassinar os próprios filhos estava nos planos do casal. Seria uma tragédia a ser usada pelo pastor para se promover na igreja.

“O pastor George, em parceria com a pastora Juliana, buscava uma ascensão religiosa e aumento expressivo de arrecadação de valores por fiéis e, para esta finalidade, ceifou a vida dos menores Kauã e Joaquim para se utilizar da tragédia em seu favor”, diz a decisão.

Juliana também estava ciente sobre as diferenças de tratamento que George dava para os filhos e o enteado. A decisão diz que George deixava faltar alimento, medicamento e atendimento médico para as crianças.

Pastora Juliana Sales, o pastor George Alves, e o filho do casal, de um ano — Foto: Rafael Zambe/ Arquivo TV Gazeta
Pastora Juliana Sales, o pastor George Alves, e o filho do casal, de um ano — Foto: Rafael Zambe/ Arquivo TV Gazeta