Pecuaristas capixabas dobram produção de leite com mudança de manejo

Imprimir
Compartilhar
Atualizado em 20 de abril de 2017
Matheus Barbosa


Melhorando a alimentação dos animais e o manejo do rebanho, produtores rurais de 35 municípios do Espírito Santo têm conseguido, num período inferior a um ano, aumentar em até 100% a produtividade leiteira e de gado de corte em suas propriedades.

Por meio do “programa capixaba de bovinocultura sustentável”, lançado em novembro de 2016, mais de 250 propriedades já vêm sendo monitoradas pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).

Leia também:

Produtor Rural de Ecoporanga se torna referência em produção de leite e ajuda iniciantes

Até o fim deste ano, a meta é atingir até 2 mil produtores, por meio também de palestras e eventos de capacitação. “É muito rápida a resposta do animal que passa a receber a alimentação adequada. Em menos de um ano, o produtor já vê o resultado”, explica o presidente do Incaper, Marcelo Suzart.

Marcelo reforça que a produtividade das propriedades capixabas é menor do que a média brasileira, que já é baixa. “Só melhorando a alimentação e o manejo do rebanho, o produtor consegue dobrar a produção”.

Pecuaristas ampliaram produção de leite no Espírito Santo (Foto: Tatiana Caus de Souza/Incaper)

Um dos maiores benefícios de quem adere ao programa é a orientação recebida sobre reserva alimentar. “O produtor tem que entender a importância da reserva para enfrentar os períodos de estiagem. O programa visa ainda a capacitação do produtor, a ampliação da assistência técnica e o desenvolvimento da cadeia produtiva”, diz o extensionista e zootecnista do Incaper, Lázaro Samir Raslan.

Parte significativa dos pecuaristas capixabas ainda não conta com estrutura e planejamento alimentar adequados nas propriedades. Além disso, muitos deles adotam sistema extensivo, ou seja, sem divisão de pastagem e com relevos acidentados.

No sistema extensivo, os níveis de produtividade geralmente são baixos, uma vez que os animais têm suas dietas limitadas ao consumo de pastos nativos, vivem soltos e sem maiores cuidados”.

Para enfrentar os períodos de escassez de alimentos para o gado, especialmente em épocas de seca, uma técnica simples e de baixo custo, denominada “silo cincho”, tem sido empregada para alavancar a produção pecuária no Estado. Cerca de 90% da produção monitorada pelo Incaper é leiteira e 10% é de corte.

A tecnologia é de origem italiana e aposta no armazenamento e conservação de forragens e volumosas. “É indicado para criadores com poucos animais, que desejam ou têm a necessidade de armazenar a produção de massa de suas capineiras, ou pequenas lavouras de milho, sorgo, milheto, rama de mandioca e cana-de-açúcar”, completa Lázaro.

No Córrego Oswaldo Cruz, em Ecoporanga, o produtor de leite Elis Pegoretti conta apenas com a ajuda do filho, Paulo Roberto, na produção e na entrega em um laticínio da região. Ao todo, cuidam de 16 vacas. Com o incentivo do Incaper, a família adotou a silagem. Cerca de 15 toneladas de comida são ensiladas, geralmente a cada 70 dias.

“Antes de usarmos o armazenamento de volumoso, a média das vacas era cerca de 3 a 5 litros. Hoje em dia são em média 8 a 10 litros por animal, com os animais consumindo somente volumoso. A nossa renda aumentou cerca de 40% por mês”, conta Elis. Na propriedade, a produção de leite varia de 90 a 160 litros recolhidos por dia.

Ecoporanga é o maior produtor de leite do Estado, com uma produção média de 120 mil litros de leite por dia. Conta também com o maior efetivo pecuário bovino do Espírito Santo, um total de 202.917 cabeças, segundo o Idaf.

Clique aqui e compartilhe com seus amigos do Facebook

Veja outras matérias sobre: Destaques, finanças, Geral, Região,