Produtor Rural de Ecoporanga se torna referência em produção de leite e ajuda iniciantes

Ele utiliza sua propriedade como referência para prestar consultorias em produção de leite

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Atualizado em 31 de março de 2017
Matheus Barbosa


Instalado na região do Córrego do Bom Café, distrito de Joassuba, em Ecoporanga, o produtor cooperado da Veneza, Bruno Nogueira Soares, mantém uma propriedade que é referência quando o assunto é produção de leite.

Acostumado a receber com frequência visitas de outros produtores que pretendem iniciar na atividade, ou até mesmo aperfeiçoar a forma de produzir, Soares não se limita ao ajudar a propagar conhecimento. “Faço questão de abrir as porteiras da minha propriedade para outros produtores rurais. Muitos vêm aqui aprender e eu sempre falo daquilo que deu certo e também mostro o que deu errado. Ensino tudo o que aprendi, desde o início com meu pai, até os dias de hoje na atividade leiteira”, afirma o produtor, que também exerce a profissão de técnico agrícola e presta consultorias na área.

A propriedade de Soares é composta por 15 ha de terra, formados por piquetes de capim Mombaça. Atualmente são produzidos cerca de 350 litros de leite por dia, média que será superada nos próximos meses com a chegada de aproximadamente 50 vacas, todas previstas para parir até o próximo mês de maio. “Acredito que esse será o nosso grande momento. Quero alcançar mil litros de leite ainda este ano e depois trabalhar para manter e aperfeiçoar nossa produção. São animais provenientes de inseminação artificial, o que garante uma genética mais apurada. Para inserir essas vacas no plantel em lactação, vou secar várias outras que já estão apresentando baixa produtividade”, afirma.

Com o olhar voltado para o melhoramento genético dos animais, algumas vacas das que vão parir foram emprenhadas por meio do processo de Fertilização In Vitro (FIV), o que garante animais ainda mais bem apurados geneticamente: “isso é garantir o futuro da nossa propriedade”.

Assistido pelo programa Leite Certo Veneza, a reprodução dos animais é uma prática seguida à risca. Uma ação comum no local é, caso a vaca não apresente cio em 45 dias após o parto, é feito o protocolo para que o animal seja inseminado. Se o problema persistir, o animal vai para descarte.

Tanta dedicação vem de berço. Almir Felicíssimo Soares, pai de Bruno, sempre tirou leite e passou para o filho que hoje dá continuidade à principal atividade que sustenta a família. “Toda a vida mexi com leite. Sou apaixonado por essa profissão e ver meu filho sendo referência, para mim é um orgulho. Quando a gente vê uma vaca boa de leite é muito prazeroso”, disse em tom emocionado o pai.

Para ajudar nos afazeres diários, o produtor conta com a ajuda de mais dois funcionários.

Seca como aprendizado

Devido à seca prolongada, que se intensificou no ano de 2016, o produtor Bruno Nogueira Soares também foi obrigado a tomar atitudes que não estavam em seus planos, para que o prejuízo não fosse maior.

A pouca disponibilidade de alimento na propriedade obrigou o produtor a vender cerca de 50 animais de seu rebanho a preços abaixo do valor de mercado. Outra medida foi a compra de cana, por intermédio da Veneza, para fazer silagem. “Se não fosse essas ações, animais teriam morrido, mas graças a Deus isso não chegou a acontecer”, disse.

Mas como de tudo se tira aprendizado, Soares viu que investir em alimento para os animais é essencial. Após o momento difícil, o produtor já preparou três ha de terra onde foi plantado capim elefante. Em outra área menor, está sendo plantado milho. O volumoso será utilizado principalmente nos períodos de estiagem hídrica.

Reflorestar

Na propriedade, uma área de terra medindo 15 ha está sendo preparada para a implantação de projeto Reflorestar, por meio do Governo do Estado. O local será preparado no sistema silvipastoril, onde será plantado capim braquiária e feita a arborização das pastagens.

 

Chorumeira

Um dos últimos investimentos feitos no local é a implantação de uma “chorumeira”. Um reservatório feito em concreto que recebe toda a água que é utilizada na lavagem diária da sala de ordenha, onde, juntamente com o esterco, fica por alguns dias em processo de fermentação.

Além de manter a higiene do local, contribuindo para a qualidade do leite, o produtor passou a reaproveitar essa água com o esterco, jogando de volta nos piquetes por meio da fertirrigação.

De acordo com Bruno Nogueira Soares, a ideia é não utilizar mais um saco de ureia por dia para adubar os piquetes e sim fortalecer o capim utilizando apenas o adubo orgânico.

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